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MEU CORPO E MINHAS DESCOBERTAS - Orientações

 Orientações PARA UMA BOA LEITURA DO LIVRO
"
MEU CORPO E MINHAS DESCOBERTAS"

 

Caro leitor,

O livro “MEU CORPO E MINHAS DESCOBERTAS” é um material com dupla faceta, pois ele inicia falando sobre a descoberta do corpo pela criança e termina mostrando que ela pode dizer não a carinhos de que não goste, e isso implica na complexidade do abuso sexual, fazendo um preparo para a autodefesa.

Com uma proposta interativa, a criança vai “conversando” com o livro, observando e conhecendo seu corpo e as sensações que ele produz.

Estamos no século XXI e, apesar disso, muitas pessoas têm dificuldades para conversar sobre o corpo e a sexualidade infantil. O livro “MEU CORPO E MINHAS DESCOBERTAS” ajudará nesse processo.

As primeiras páginas iniciam mostrando as potencialidades do corpo e os cuidados que devemos ter com o mesmo.

Seria interessante que você, leitor, posicionasse-se junto à criança, podendo estabelecer uma relação de proximidade, deixando que ela realize as atividades propostas.

Esse momento é importante, pois cria uma cumplicidade entre o leitor e a criança e vai fazendo com que ela interaja e se liberte dos seus receios.

 

As páginas interativas vão aparecendo no decorrer do livro. Elas têm uma função preponderante, a função de levar a criança a se entregar à leitura e a vivenciá-la.

O leitor não deve interferir no desenho da criança a fim de não inibi-la, deve deixar que ela termine e se quiser, ao final,deve fazer perguntas neutras, como:

― Você escova seus dentes em quais horários?

― Você gosta de tomar banho?

― O que você desenhou agora?

 

A página que mostra o corpo da menina e do menino dará a oportunidade à criança para perguntar sobre as partes do corpo, falando os nomes dos genitais como ela conhece. Você deve conversar sobre isso com naturalidade. Você pode dizer:

_ Existem partes do nosso corpo que recebem alguns apelidos e você pode chamá-las da maneira que desejar.

A vulva é chamada de perereca, xoxota e florzinha, e o pênis de piru, piu piu e pinto. Essas são formas carinhosas de tratar nossos genitais.

Nessa parte o livro abre portas para a criança conversar sobre seu corpo e até mesmo tocá-lo. Pode ser que ela lhe pergunte sobre masturbação; caso não fale, não há problema, mas se falar, explique que:

A vulva e o pênis são partes especiais do nosso corpo com as quais devemos ter cuidado e carinho. Quando os meninos tocam seu pênis, ele costuma ficar durinho e produz uma sensação gostosa.

A menina também passa por isso quando toca sua vulva, há uma partezinha interna que fica durinha e ela também sente uma sensação gostosa.

Conhecer o corpo e saber sobre suas sensações não estimula a masturbação ou a sexualidade;  ao contrário, o que realmente incentiva é a mentira, a dúvida e a fantasia que se cria quando não respondem a verdade.

Muitas pessoas têm dificuldade para lidar com a própria sexualidade e ficam mexidas quando percebem que a criança está descobrindo a dela.  Muitos adultos foram reprimidos e cresceram com enormes tabus quanto ao sexo.

***Caso você veja alguma criança se masturbando,pode pedir que ela desempenhe algum tipo de atividade que precise usar as mãos. Na faixa etária compreendida entre quatro e cinco anos é comum a criança se masturbar de forma esporádica. Se perceber que a criança está se masturbando com muita freqüência procure observar se ela está passando por algum conflito e usando a masturbação como fuga.

É preciso ficar bem claro: sexualidade infantil é diferente de sexualidade do adulto. Se a família tratar esse momento com naturalidade, mostrando à criança valores de respeito e cuidado, a criança irá responder com um crescimento saudável.

O diálogo aberto e sincero não quer dizer falar para a criança com termos e conhecimentos que estejam fora do seu momento. Muitas pessoas tendem a incentivar a criança quanto à sua sexualidade. Isso não é bom. Gera conflitos e insegurança, ao invés de ajudar, atrapalha.

Vamos iniciar agora outra fase do livro que é o grande objetivo desse trabalho, desenvolver na criança a autodefesa quanto ao abuso sexual infantil.

Vamos conhecer um pouco sobre abuso sexual infantil: o que é, como ocorre, como a criança se manifesta.

Temos como conceito de Abuso sexual infantil todo ato de gratificação sexual realizado por um adulto, ou pessoa proporcionalmente mais velha que a vítima, voltado para uma criança ou adolescente.

As pesquisas têm mostrado que as gratificações sexuais usadas no abuso sexual vão desde carícias e manipulação dos genitais, sexo oral, exposição dos genitais, filmagens ou fotografias até a penetração.

A prática aponta a manipulação dos genitais e o sexo oral como as gratificações sexuais mais utilizadas pelos abusadores. Essa ocorrência tem por objetivo principal NÃO DEIXAR MARCAS OU PROVAS DO ABUSO.

Abuso sexual infantil é um tema extremamente complexo pela peculiaridade com que ocorre, pois os abusadores são pessoas frequentemente consideradas acima de qualquer suspeita, sendo, em sua maioria,  bem sucedidos profissionalmente e socialmente. Mostram-se simpáticos, prestativos, tendo comumente uma vida conjugal estável.

O abuso ocorre em todas as classes, países e em todas as religiões. Apesar disso, observamos mais  denúncias nas classes economicamente mais vulneráveis. Isso ocorre porque quanto maior  o nível social e econômico, maiores serão as consequências em termos de escândalo e a maiores as condições para manter o segredo; consequentemente, maior o sofrimento da vítima.

A vítima do abuso sexual é envolvida em uma trama que se inicia por brincadeiras e agrados. O abusador envolve a criança ou o adolescente em uma atmosfera de afabilidade e confiança, assim como a família. O abuso ocorre, de uma maneira geral, através de brincadeiras que vão evoluindo gradativamente para carícias de origem sexual.

A vítima, principalmente quando é criança, se vê envolvida em brincadeiras e atos que desconhece e que costumam até proporcionar prazer. É difícil para uma criança diferenciar até onde uma brincadeira é apenas uma brincadeira e quando deixa de ser, até porque, devido a sua pouca maturidade, ela não sabe o que é gratificação sexual.

Devido à diferença de idade, o abusador tem um poder de autoridade sobre a criança, que passa a se sentir mal à proporção que as carícias vão aumentando e começa a evitá-las; afinal, a criança não tem maturidade para lidar com o sexo, não entende o que está acontecendo, deseja pedir ajuda, falar com alguém, mas, como falar de uma coisa que não se sabe o que é. Sente-se culpada, invadida, insegura, amedrontada.

A frase: “Esse é o nosso segredinho” é ouvida em vários relatos de vítimas de abuso sexual.  O abusador se empenha para que a vítima não fale sobre o que está ocorrendo, assim como manipula as pessoas e age sem deixar testemunhas, entre quatro paredes. Quando a criança ameaça  contar, iniciam as chantagens e as ameaças.

Os abusadores são normalmente pessoas da confiança  da família. As estatísticas  apontam o  pai biológico como o maior abusador, seguido do padrasto, dos avós, dos tios e dos amigos  da família.

As consequências do abuso sexual são devastadoras, a vítima pode ter dificuldades na área sexual e  se transformar em um futuro abusador, sua  auto-estima fica afetada, podendo desenvolver problemas de relacionamento com o outro e consigo mesma, distúrbios emocionais e outros.

Por todos esses motivos faz-se essencial o desenvolvimento da autodefesa da criança e adolescente, porém para falar para criança sobre esse tema deve-se ter bastante cautela, afinal a violência sexual é assustadora até para adultos. A criança não precisa ouvir detalhadamente o que o abusador faz, mas precisa saber que seu corpo deve ser respeitado.

O livro “MEU CORPO E MINHAS DESCOBERTAS” inicia falando para a criança de seu corpo propositalmente, pois para se falar na autodefesa a criança primeiramente deve conhecer bem a si mesma e saber que há pessoas em quem ela pode confiar e falar sobre as suas percepções, suas dúvidas, suas sensações.

A criança é sincera e direta, mas tende a ficar calada quando se sente insegura, amedrontada ou ameaçada, porém se alguém lhe mostra que ela pode falar e expressar seus sentimentos e dúvidas ela tenderá a buscar ajuda dessa pessoa sempre que precisar.

A criança que nunca viveu qualquer experiência de abuso sexual irá ter segurança em você e passará a conversar, procurando as pessoas da sua confiança sempre que sentir necessidade de questionar ou comentar suas dúvidas e conflitos.

A criança que estiver vivendo ou que tenha passado por uma situação de abuso poderá desenhar alguma coisa relativa ao abuso, lhe fazer perguntas e revelar o abuso sofrido.

O momento de revelação do abuso é doloroso e delicado, é importante estar preparado para ouvir sem manifestar horror. Caso alguma criança venha a lhe falar sobre uma experiência de abuso, procure apoiá-la, dizer que está ao seu lado e peça que ela lhe conte o que ocorreu sem colocar palavras na sua boca. Não pergunte ele fez isso ou aquilo. Pergunte: como aconteceu? Em que momentos ocorriam?

É importante dizer à vitima que ela não  tem culpa do abuso , quem possui toda a responsabilidade sobre o ato é o  abusador , por esse motivo ele deve responder a um processo criminal.

Não prometa segredo  à vitima, diga que será necessário falar sobre o ocorrido à pessoas que poderão ajudá-la. O correto é procurar uma delegacia e fazer a denúncia para o delegado que trata da área da infância e juventude.

Caso você não se sinta a vontade para fazer a denúncia diretamente faça anonimamente, ligando para o DISQUE 100, Conselho Tutelar ou CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de sua cidade.


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